4.11.10
Um dia, uma vida de jogo
Eu saí do cursinho e fui pra casa, umas 19h liguei para amiga e ela já estava no Pacaembu. Então me teletransportei. No caminho -correndo- eu parei, literalmente parei, e comecei a falar sozinha, "Por que será que eu to fazendo isso? Não digo por ser mulher - mulher e homem direitos iguais-, digo por ser alguém que gosta de futebol, assim como tantos outros que gostam tanto quanto eu, e mais ainda, que gostam do Corinthians, por que fazemos isso? Por que essa pressa pra ver uma partida de futebol completa de homens que um dia jogaram bola no campo do bairro em que moravam, na rua e até na escola? Por que temos essa angústia de perder um jogo, e ansiedade de chegar no Pacaembu (onde consideramos nossa casa) e esperar na praça pra dar a hora do jogo?". O jogo em si foi como qualquer outro, difícil, fácil, deu raiva do Iarley, "agradecemos" ao pó de arroz por dois gols em sua partida, e ao empate do pó de arroz carioca. Ficamos felizes com o Gordo, Elias e Bruno Cesar. Não só pelos gols, mas pela dedicação que foi visível. Mas e aí? E aí, que mesmo que tivéssemos perdido, eu voltaria do mesmo jeito com meus amigos para o Ipiranga num carro, que entre uma conversa sobre aquele jogo, o próximo o anterior tocaria um samba no rádio e num clima bem corinthiano estaríamos felizes de viver aquela rotina, viver aqueles minutos antes, durante e depois do jogo. O Corinthians proporciona isso, esses minutos de jogo que na verdade vai além do campo. É inacreditável esse sentimento.
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